sábado, 31 de agosto de 2013

O pássaro

Foto: Gui Venturini

No passar dos dias o pássaro esta lá parado no seu galho a espera de voar, o seu canto encanta o ouvidor no longínquo lugar onde habitar. A sonoridade espalha- se pelo ar e tudo se conecta entre céu, montanhas e luar.

Lá em seu descanso passo a observar, as flores, a terra e os animais, o seu piar contempla tempo e espaço, espera e entusiasmo. Tudo parece parado, mas as folhas, dançam no ritmo do vento a tocar.

Ele é mais um no meio de tantos outros que espera a hora certa do bater da asas, suas penas, suas asas e o seu bico são igual a todos os outros, nada muda, apenas o tamanho, a cor e a forma de cantar.

O cantador é apenas um pássaro livre a voar, mas ele, fica ali, preso a observar, observar as formas, o jeito e o pensar. Ele é mais um no meio de todos nós. É um ser na imensidão do viver, da luta e do amar.

Ele voou, bateu asas livre pelo ar, encontrou o céu, as nuvens e seu lugar, deixou pra trás o que viu, a arvore que serviu de abrigo, os amigos que ali passaram, que olharam e seguiram, que deixaram um canto como consolo, que serviram como antídoto do esperar.

Hoje ele é apenas um pássaro livre a cantar, engaiolado a espera da liberdade.




quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Camponesa, céu e mar.

Foto: Gui Venturini

Lá estava o castelo, uma fortaleza onde sentinelas tomavam conta em todas as pontas, onde cavalos e cavaleiros juntavam-se em um só, o pó era o nó que dava o laço na forca que esperava um pescoço para ser abraçado.

A porta estendia-se feito ponte, reis e rainhas, atravessavam e trafegavam seus sonhos e desejos, seus desafios e congestionamentos, suas duvidas e argumentos, seus sofrimentos.

Eu, não estou à procura da princesa, mas sim, em busca da camponesa, que corre livre pelo campo, que deixa o vento tocá-la e as flores abraçá-la. Eu quero a camponesa que corre atrás das borboletas e descansa seus sonhos na grama verde do campo brevemente extenso com pequenas pétalas brancas, botões amarelos e folhas verdes, elas, decoram todo o tapete aveludado de um caminho sem fim.

O vento no seu ventre parece borboletas emboladas feito flores a desfilar no ar e dançar a próxima valsa a tocar, os anjos exibem harpas, violinos e flautas em sinfonia com a orquestra mágica boreal que encantam pássaros e os vaga lumes, passam a piscar. A noite virá, as estrelas, a brilhar, a lua a iluminar a beleza das suas curvas em um vestido branco de seda e toda essa beleza, eu irei parar e observar.

A camponesa esconde sua beleza na lua cheia, seus cabelos ao vento pareciam nuvens sobrepostas, fios negros soltos, pareciam raios de um luar a enraizar desejos na terra molhada que a relva goteja o orvalho que parecem cristais flutuantes, jóias exuberantes criadas pela natureza artesã, percorrer por todo o imenso denso sonho e deságua sobre o mar límpido salgo do doce amar.

O sol vem chegando e a camponesa é acariciada com os primeiros raios, os olhos adormecidos abrem-se para um novo dia, para um novo olhar, para uma nova forma de observar o dia. O céu azul feito o fundo do mar, nuvens que desenham corais no navegar dos pássaros a cantar, o céu é o mar de ponta cabeça que em gota em gota enche rios e represas.

Águas virão desaguar uma cachoeira de ilusões, pelas pedras escorrerão poemas lodosos e versos amorosos que irão molhar toda a secura de um amar esquecido, esquecido dentro do troco de uma árvore, que abrigou o amor, deixou quente, protegido e pronto para ser digerido.

O amor espera a camponesa que por muitas vezes não passeou mais pela floresta, deixou naquela fresta o sentimento guardado, o amor despedaçado e o pedido esquecido. Ela irá voltar e pelas frestas irá coroar uma nova realeza.

O dia terminou, amanhã, começa tudo novamente com príncipes e princesas, com camponeses e camponesas, com beleza e também nobreza.

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